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Geórgia

Tenebroso mausoléu

Acordo, tomo café, olho pela janela, me deparo com os raios de sol inaugurais de uma fria manhã do inverno georgiano; um verdadeiro alento após dias e mais dias de sombridão e ausência de quaisquer vestígios do astro celeste.

De imediato, estimulado pelos raios que irradiavam através das desgastadas janelas de uma antiga fábrica de costura soviética, lembro de um lugar próximo, no mínimo intrigante, que, por acaso, havia descoberto em uma única página da internet.

Tento, por mais uma vez, pesquisar sobre ele. Entretanto, as minhas pesquisas remetem apenas a mesma página, que indica somente a vila em que o lugar está situado, porém sem precisar a localização exata.

Indago alguns nativos. Todavia, todos demonstram total desconhecimento acerca da existência de tal lugar, ao ponto deles, sutilmente, externarem que eu deveria estar enganado e que esse local era um “delírio da minha imaginação”.

Nada que desestimule a minha jornada. Longe disso, era a validação da autenticidade do objeto da minha exploração, o que despertava em mim um sentimento de efervescência.

Antes de partir para a vila, estudo minuciosamente o trajeto, já que, durante boa parte do percurso revelava-se como provável a indisponibilidade de internet e sinal de GPS (dada a localização remota da povoação).

Minutos depois, já estou dentro do carro que havia alugado, pronto para partir para o vilarejo aparentemente inocente e pacato.

Ao passo que me aproximo do povoado, o cenário se transmuda. Carros são substituídos por carroças, edifícios por plantações, asfalto por estrada de terra, gatos e cachorros por ovelhas, jovens por anciãos, pombos por corvos.

Até que chega o momento em que visualizo inserto, em uma enferrujada e deteriorada placa: Akhalsopeli.  

Era a tão esperada vila. 

Bastava, agora, perguntar a localização exata do meu pretenso destino ao primeiro indivíduo que eu encontrasse.

Alguns metros adiante, me deparo com um habitante do lugarejo, um ancião com uma longa barba branca, uma face marcada pelo passar do tempo e um degradado cajado em suas mãos.

Ao perceber que eu iria parar para conversar, ele, efusivamente, me recepciona com calorosos acenos. 

Para retribuir tais gestos, aperto entusiasticamente as suas enrugadas mãos. E, em seguida, já aproveito para lhe indagar acerca do meu enigmático destino.

Incontinenti, no exato instante em que pronuncio a palavra Stalin, o semblante dele se transforma drasticamente.

É um efeito retumbante, que muito me amedronta. Tenho a impressão de que esse amaldiçoado nome lhe despertou sentimentos há muito tempo ocultos em seu interior; ao ponto em que o sorriso amigável transmuda para um sorriso um tanto aterrorizador.

Com medo dessa transfiguração, lhe agradeço e, rapidamente, sigo a viagem.

Mais alguns metros a frente, encontro uma simpática e elegante velhinha balançando, no jardim da sua casa de pedra, uma fabulosa toalha de mesa com estampas retangulares.

Ao me ver, ela se aproxima um pouco da estrada, de maneira que eu aproveito para lhe indagar sobre o meu destino. 

De pronto, ela me sinaliza que tal local estava ao meu lado. Era nada menos do que a construção adjacente.

Em um olhar menos atento, sob a perspectiva externa, o local parece ser apenas uma casa igual as tantas outras casas com ares decadentes da vizinhança.

Ledo engano, ao me aproximar um pouco mais da residência, visualizo a primeira indicação de que aquele lugar apresentava uma singularidade: um pequeno e quase imperceptível mosaico inserido no portão, que estava fechado.

Sem campainha, bato palmas e profiro algumas palavras no idioma local para que o morador ou algum responsável pelo local me atenda.

Sem sucesso, percebo que o portão, apesar de fechado, não está trancado. Assim, o abro e já me deparo com uma estátua gigantesca aos fundos (não visível da parte externa), provavelmente dando boas-vindas e sinalizando aos esparsos visitantes o que lhes espera.

Embora já dentro do local, permaneço no limite entre o terreno privado e o logradouro público, paralisado pelo impacto inicial.

De repente, vejo um vulto que, ao me visualizar, vem ao meu encontro para desejar boas-vindas com entusiasmo e extrema cordialidade.

Sem precisar proferir palavra alguma, sou convidado para adentrar um pouco mais. 

Era lógico, conquanto ele não soubesse o porquê de eu estar lá, não possuía dúvidas acerca do que eu queria contemplar.

Após alguns passos, visualizo um imenso jardim; repleto de estátuas, estrelas vermelhas, cartazes da época da União Soviética e variados retratos originais de Josef Stalin.

Estava claro. Muito mais do que um mero museu particular, o local era um templo particular de adoração e culto de uma personalidade.

Entusiasmado com a minha visita, o simpático, porém no mínimo intrigante, georgiano vai abrindo inúmeras portas que levam a outros locais inimagináveis do jardim da sua residência, ao mesmo tempo em que insiste para que eu lhe acompanhe.

Fontes, estrelas e mais estrelas vermelhas, bustos, estátuas e mais estátuas (douradas, pratas, vermelhas), retratos em diferentes perspectivas e, até mesmo, um foguete da época da União Soviética intacto; cada parte do jardim que adentro reserva algo diferente, porém sempre convergente ao mesmo propósito: a devoção a uma personalidade.

Além das partes à céu-aberto, as inúmeras portas que se abrem me levam à ambientes fechados. Até mesmo para um local que aparenta ser uma gigante sala de reuniões devido à presença de uma longa mesa, várias cadeiras, incontáveis retratos de Stalin pendurados nas paredes, matérias jornalísticas, bustos, teto um pouco rebaixado e iluminação precária (aparentemente proposital).

A disposição de cada objeto me assombra. Tudo parece ter sido posicionado de forma a criar uma sala para reuniões de devotos à Stalin. 

Definitivamente, me sinto incomodado e presente em um local digno das piores cenas de filmes de terror.

Antes de deixar a residência e museu particular, sou chamado pelo proprietário, que se demonstra eufórico, a visitar outra parte da sua coleção. 

Pela simples leitura da sua linguagem corporal, percebo que o local que ele pretende me levar era o ápice da sua exposição.

Calmamente, ele tira um molho de chaves do bolso e solicita para que eu lhe acompanhe. 

Em uma parte completamente escondida do jardim, ao que ele afasta um pouco da vegetação existente, vejo uma envelhecida e desgastada porta marrom.

Imediatamente após abrir essa porta, ele insiste para que eu entre no local. Fico um pouco receoso. De fora, posso visualizar, na quase completa escuridão, um revestimento vermelho aveludado nas paredes e a presença de uma pequena vela.

Sucumbo à insistência dele e à grande curiosidade, entro na sala e, o que lá visualizo, me deixa sobremaneira desestabilizado.

Ao mesmo tempo em que sinto imensa repulsa pelo que vivencio, a curiosidade me instiga a permanecer, ao menos, por alguns segundos frente a esse tenebroso cenário.

No ímpeto de observar a completude da cena, porém, igualmente, evadir esse local o quanto antes; direciono a minha visão, aceleradamente e progressivamente, a todos os detalhes do ambiente.

Contudo, antes que eu conclua esse exame panorâmico do espaço, noto que o proprietário do museu me pede insistentemente para fotografar a sala.

Para atender ao seu pedido, efetuo alguns registros fotográficos, e, logo, volto a minha atenção para a contemplação do recinto.

No centro dele, paira um caixão envolto por inúmeras rosas vermelhas, velas com teias de aranha e uma sórdida coroa de espinhos; estando preenchido por algo repugnante.

Nas paredes, evidencio a presença de diversos retratos empoeirados com as mais diferentes poses e perspectivas de Ioseb Besarionis Dze Jughashvili.

Antes que eu reconduza a minha atenção para os elementos mais sórdidos do ambiente, o piscar de uma das luzes é o sinal para que eu deixe o lugar.

Ao sair de lá e no início do retorno à Tbilisi, me sinto ainda um pouco transtornado com tudo que presenciei. Porém, as reflexões feitas durante o trajeto (de cerca de 40 minutos) e as incríveis dádivas da natureza, apreciadas no caminho, permitem que eu me recupere antes de voltar à Tbilisi. Afinal, era véspera de ano novo e as manifestações da natureza (pássaros, formação das nuvens) estavam sendo magníficas.

A fotografia ora exposta retrata, na minha concepção, o segundo lugar mais impactante do museu particular. Em que pese tenha registrado por meio fotográfico o local mais assombroso, considero ele deveras desagradável e, consequentemente, impublicável.

[VERSÃO PARCIAL].

CLARIFICATIONS (ESCLARECIMENTOS):

Essa exploração e a sua publicização, por meio desta plataforma, não representam qualquer espécie de endossamento às ações perpetradas por Ioseb Besarionis Dze Jughashvili e, muito menos, quaisquer intenções de veneração ou reverência a sua figura.

Trata-se apenas de uma contemplação de resquícios de um determinado momento histórico, de uma tentativa de compreensão do funcionamento psíquico e de uma procura por uma evolução intelectual, qual seja, a incursão em um estado ainda mais reflexivo. 

Em essência, visitar um lugar como este propicia o exsurgimento de reflexões acerca da humanidade e da concepção concernente ao que é ser humano.

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Alemanha

Uma noite na Reeperbahn – Pt. 2

Em segundos, lá estava eu, no epicentro da pista, contemplando a multiplicidade de emoções que reverberavam na minha mente e no meu coração ao pulsar de cada batida que era entoada.

Meus olhos se abriam e fechavam incessantemente, no ímpeto de constatar se aquilo que eu estava experienciando era verdade ou não passava de um simples devaneio.

Para mim, era difícil acreditar que isso tudo era concreto.

Entretanto, cada vez que meus olhos se abriam, minha convicção se fortalecia.

A crença na autenticidade daquilo que estava vivenciando se intensificava na mesma progressão da composição que adentrava com suavidade nos meus ouvidos.

Eu ouvia e reconhecia todos os elementos musicais. Mas um, em específico, conferia um brilho excepcional com o seu som grave, mas ao mesmo tempo suave.

Quando a música que era entoada se esvai, sendo gradualmente sobreposta, meu olhar e a minha mente se voltam para o espaço físico, que, até então, havia sido ignorado.

A sombridão do local era digna de equivalência ao ambiente externo.

As paredes delapidadas pelo tempo mais pareciam com as paredes dos diversos complexos militares alemães abandonados, especialmente na antiga Alemanha Oriental.

Os pilares, em concreto aparente, me reportavam aos inúmeros prédios residenciais abandonados que já havia visitado.

O caminho para o banheiro, mesmo, parecia que me conduzia para um túnel de travessia de um trem fantasma, me recordando das vezes que eu, quando criança, incursionava nessa assombrosa atração dos parques de diversão.

Ele era estreito, frio, úmido, parcamente iluminado e com rabiscos aterrorizadores nas paredes.

Como alento, havia uma senhorinha muito simpática logo na entrada do banheiro, que, ao notar o meu desconforto devido à passagem pelo túnel tenebroso, me deu uma aparente doce, quanto amarga, goma de mascar; que, por razões óbvias, não experimentei.

Em comparação com o restante do local, o banheiro até parecia um oásis; apesar de boa parte dos azulejos estarem rachados, e a água da pia entupida conter alguns pequenos e esquisitos insetos.

Ao sair do banheiro, respirei profundamente antes de adentrar, por mais uma vez, no túnel maldito.

Ao passar por esse caminho, até fui seduzido pelos intrigantes efeitos da reverberação que o atingia, esta proveniente do som que emanava da pista de dança, e pelos intrigantes sinais insculpidos nas paredes.

Porém, só de pensar em permanecer mais alguns segundos nesse tenebroso e obscuro espaço, apressei os passos até o retorno à pista de dança.

Estranhamente, a pista, nesse momento, parecia um pouco mais sombria do que antes; impressão causada pela introspectividade e elegância austera na levada da música que se ouvia e pela presença de algumas “figuras” excêntricas, que, até então, haviam passado despercebidas.

Uma dessas “figuras” usava uma peruca laranja, outra uma peruca roxa, outra possuía em seus dedos anéis com a face dos mais diversos animais.

Em especial, uma delas não me parecia estranha. 

O jeito peculiar que ela dançava me lembrava de um emblemático artista, que, em suas passagens pelo Brasil, havia, por diversas vezes, conduzido, em noites memoráveis, espectadores a jornadas musicais enigmáticas até o exsurgimento dos primeiros raios do sol.

Em suas apresentações no Brasil, ele guiava a platéia não somente com a sua música, mas também com as suas mãos, como se fosse um maestro, ao ponto que os movimentos corporais por ele realizados se tornaram um traço peculiar.

Mas, ao mesmo tempo em que haviam tantas semelhanças entre a “figura” que estava do meu lado e tal artista, transcendia a lógica do razoável acreditar que eu estava lado a lado de uma “lenda”.

Para desvelar essa incógnita, só restava uma opção.

Como se fosse íntimo, me aproximei dele e fiz um comentário.

De imediato, ao que ele se vira para respondê-lo, dúvidas não mais restavam. Estava frente a frente de ninguém menos que Mladen Solomun¹.

TO BE CONTINUED (CONTINUA). Mas, desta vez, o desfecho dessa história fica para a versão impressa. 

¹Mladen Solomun é considerado um dos mais icônicos e emblemáticos artistas da música eletrônica, tendo criado verdadeiros hinos. Pode se dizer que, em quase 18 anos de existência do Warung (club de música eletrônica situado na praia Brava, em Itajaí), Solomun é o artista mais identificado com o club e o mais querido pelos amantes; o que não é pouco, pois o templo (cognome carinhoso do Warung) é, para muitos, um dos melhores clubs do planeta. Com base nas minhas experiências ao redor do mundo, digo que poucos locais propiciam as contemplações vivenciadas no templo. Há uma convergência de elementos presenciada em nenhum outro lugar do mundo.

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Alemanha

Uma noite na Reeperbahn – Pt. 1

22:00 horas exatas de uma fria quarta-feira do inverno alemão, estava eu jogado na cama de um quarto dos subúrbios hamburguenses; naquele típico dilema entre incursionar em uma exploração noturna ou repousar tranquilamente até a penetração, através da janela, dos primeiros raios de sol.

Entre quase cochilos e instantes de reflexão, resgatei meu celular do emaranhado das cobertas para, por meio dele, descobrir o que esta noite poderia me proporcionar.

O primeiro resultado da minha busca já me deixa paralisado e hipnotizado.

Quando esse instantâneo estado de transe se esvai, dúvidas não mais me restavam: a noite estimava pela minha presença.

10 minutos depois, me encontro em um vagão vandalizado, imundo e sombrio do metrô em direção ao distrito mais infame da cidade.

Ao chegar lá, parecia que eu estava no meu habitat. Era nítido o misto de obscuridade, perigos e armadilhas que o local reservava.

Não satisfeito, migrei da rua central do distrito para as secundárias e, sucessivamente, terciárias.

O que já era obscurecido ficava ainda mais sombrio, intrigante e desafiante.

Até que, entre inúmeros desvios não propositais e desorientações espaciais, adentrei na rua do lugar que me atraiu para essa jornada notívaga por áreas tenebrosas.

Figuras, no mínimo estranhas, praticamente se enfileiravam em um dos lados da calçada, luzes dos apartamentos que me circundavam acendiam e apagavam repentinamente, gritos esquisitos eram ouvidos.

Porém, tudo estava perfeitamente bem. Bastava andar no outro lado da calçada; se comportar como um local; ficar calmo e sereno; e, diante de qualquer potencial perigo, fazer cara de mal.

A parca iluminação da rua e ausência de sinais ou números nas fachadas das edificações dificultavam a identificação do local que pretendia ir, ao ponto que, imaginando que poderia ter me equivocado a respeito do endereço, adentrei em via diversa, um pouco mais escura e insólita do que a anterior.

Dessa vez, aparentemente, não existiam mais figuras esquisitas. Porém, as luzes que piscavam nos decadentes apartamentos eram das mais diferentes cores e os gritos que se ouvia eram um pouco mais agudos e amedrontadores.

Em um mero instante, dois jovens alemães aparecem subitamente. Ambos vem ao meu encontro e me dirigem a palavra.

No meu intelecto, penso: Nossa, que surpresa encontrar a essa hora e nesse lugar duas pessoas tão cordiais e simpáticas.

Ao menos nisso, eu estava certo. Realmente, eram indivíduos cortês. O único porém é que nitidamente a psique deles estava profundamente alterada pelo visível uso antecedente de substâncias psicoativas.

Sem nem dar tempo para agradecê-los e me afastar, os dois lançam as garrafas que tinham em suas mãos em um carro que estava estacionado na rua.

De imediato, presencio o estilhaço das garrafas e a ativação do ensurdecedor alarme do automóvel; sucedidos pela evasão dos educados alemães.

Como se nada tivesse acontecido, reconduzo a minha concentração para a descoberta do local que procurava.

Nisso, começo a sentir vibrações de baixa intensidade semelhantes ao som emanado de marcha militar, as quais se avolumam gradualmente.

Ao olhar em direção ao final da rua, visualizo um conjunto ordenado de pessoas em uniformes pretos surgindo das penumbras.

Curioso com o que exsurgia, paro e olho fixamente para a cena.

Ao que eles se aproximam, constato que se tratavam apenas de policiais da tropa de choque.

Parecia um alento, no meio do caos.

De imediato, vou ao encontro deles e os indago acerca da localização do local que eu procurava.

Com extrema gentileza, eles me dizem que eu poderia acompanhá-los, já que iriam até lá.

Me posiciono ao lado deles, de modo a me sentir um integrante do batalhão de choque.

Após alguns minutos de caminhada, chego no almejado local, este praticamente imperceptível e com a mesma peculiaridade dos estabelecimentos alemães do gênero: uma fachada comum sem placa ou indicação alguma.

Os dois alemães na portaria não parecem muito felizes e, muito menos, empolgados com a minha chegada.

Logo me dizem que o lugar está lotado e que eu não poderia entrar.

Nada que me abalasse. Estava convicto que possuía um trunfo que seria a chave para a minha entrada.

De pronto, sem maiores delongas, lhes revelo o porquê da minha visita. Bastam algumas palavras e algumas indagações para que o semblante deles mude repentinamente e para que fiquem “balançados”.

Era nítido que eu havia lhes direcionado para um estado de dúvida. Naquele momento, não estava certo que esse estado de incerteza culminaria na minha entrada.

Porém, o não já havia se tornado um talvez. Restava aguardar.

Indubitavelmente, não cabia formular mais palavras. Já havia colocado as cartas iniciais na mesa. Era a hora de ficar em silêncio e esperar. Era a vez deles se posicionarem.

Nesses instantes de espera, meus olhares se voltam para os arredores. Ao meu lado, vejo uma placa reluzente laranja com a escrita: Jesus lebt (Jesus vive).

Era mais um alento no meio do caos.

Eis que ouço a voz de um dos alemães da portaria.

Volto o meu olhar para ele, que diz: “Vem, pode entrar”; já carimbando o meu pulso, no mesmo instante em que abria as portas.

Era a materialização da incursão que eu tanto objetivava.

A escuridão, a vibração pulsante e a perfeição melódica da música que emanava era uma chamada para a pista de dança.

Em segundos, lá estava eu, no epicentro da pista, contemplando a multiplicidade de emoções que reverberavam na minha mente e no meu coração ao pulsar de cada batida que era entoada […]

TO BE CONTINUED (CONTINUA)…